O temor instalou-se no mundo !

“Como você vai negociar com pulso firme com o seu banqueiro?”, perguntava-se em 2009 a então secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Esta frase, citada em um telegrama revelado pelo Wikileaks, resumia a complicada relação de Washington com a China, que controlava a dívida pública da maior potência mundial num valor de um trilhão de dólares. Uma década depois, o país asiático aumentou ligeiramente sua carteira de bônus norte-americanos. Mas isso não impediu que o hoje presidente Donald Trump usasse todas as armas contra seu grande competidor global, que além disso continua sendo seu maior banqueiro.

Neste conflito, a China lançou mão de uma nova arma nesta semana: a taxa de câmbio. Depois do anúncio de Trump sobre novas tarifas a partir de setembro — uma alíquota de 10% para produtos chineses num valor de 300 bilhões de dólares —, Pequim respondeu pondo fim ao que até então parecia um tabu: seu banco central deixou o dólar passar da barreira psicológica de sete yuans.

Com esta (moderada) desvalorização, a China despertou o temor de que o conflito comercial, que já se transformou em tecnológico, avance para uma guerra cambial. Os especialistas consultados duvidam que se chegue a tal ponto. A China até agora conteve a queda de sua moeda, que teria sido maior sem a intervenção governamental. O dólar, por sua vez, está supervalorizado, entre 6% e 12%, segundo um relatório do FMI de julho. O yuan pode ir perdendo valor pouco a pouco, mas os analistas não esperam um desabamento brusco, porque, entre outros motivos, causaria uma fuga de capitais que ninguém em Pequim deseja”…

EL PAÍS